Equipe Divvino

Mulheres e o mundo dos vinhos: conheça 6 vinicultoras importantes

Destaques / 4 min

7 de março de 2019

Há séculos, as mulheres se destacam no mercado mundial de vinhos. Importantes vinicultoras, enólogas e sommeliers movimentam o mercado, criando bebidas ricas e processos únicos de vinificação.

De pioneiras a aspirantes, listamos cinco mulheres importantes no mundo dos vinhos. Confira!

1. Barbe-Nicole Ponsardin

Nascida em 1777, em Reims, na França, Barbe-Nicole Ponsardin casou-se com François Clicquot no ano de 1798, uma união arranjada para expandir os negócios de ambas as famílias. O marido passou a comandar a Clicquot-Muiron et Fils, empresa fundada por seu pai e cujas atividades envolviam comércio têxtil, serviços bancários e produção de vinhos.

No ano de 1805, porém, François morreu precocemente em decorrência de tifoide. Ela resolveu que tomaria seu lugar na administração do negócios, passando a focar somente na produção de bebidas.

As atitudes de Barbe-Nicole contrariavam o código napoleônico, legislação da época que negava às mulheres direitos civis e políticos básicos como ganhar dinheiro, trabalhar, votar e estudar em escolas ou faculdades.

Mesmo assim, ela estudou os processos da produção de champagne, e em 1810, fundou a Veuve Clicquot-Ponsardin, ou “viúva Clicquot-Ponsardin”, em português. Os anos seguintes foram difíceis, tendo quase enfrentado a falência.

Em 1814, porém, a situação começou a se reverter. Buscando melhorar os lucros da empresa, passou a exportar seus vinhos para a Rússia, vendendo quase 23 mil garrafas e chamando a atenção de líderes do país como o Czar Alexandre I e seu irmão Grão-Duque Miguel Pavlovich.

A fama das champagnes Veuve Clicquot Ponsardin se espalhou rapidamente por toda a Europa, gerando um alto número de pedidos. Só foi possível atender a todos graças ao sucesso de sua próxima safra, chamada de “vindima dos cometas”, que ocorreu durante eventos astronômicos que favoreceram a qualidade das bebidas.

O método criado por Barbe-Nicole foi um de seus grandes diferenciais. Conhecido como “riddling”, consiste em girar sutilmente a garrafa durante vários dias até que todo o sedimento e leveduras residuais possam ser concentradas e removidas com facilidade. Essa técnica ainda é utilizada por diversos produtores.

As champagnes da Veuve Clicquot Ponsardin são produzidas até hoje e reverenciadas mundialmente, graças ao legado deixado por sua fundadora.

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Retrato de Madame Barbe-Nicole, por Léon Cogniet. Imagem: Reprodução

2. Karoline Walch

Seguindos os passos da família, Karoline Walch faz parte da quinta geração de viticultores, que está no negócio desde 1869. Hoje, comanda a vinícola fundada e batizada por sua mãe, Elena Walch. Situada na região de Trentino-Alto Ádige, fica ao norte da Itália, fazendo fronteira com a Áustria.

Antes de assumir o legado, Karoline graduou-se em Vinificação na Austrália, aperfeiçoando seu métodos. Hoje, sua vinícola apresenta uma cultura sustentável, com adubos naturais e processos de vinificação que respeitam o solo.

Entre suas principais safras à frente da Elena Walch estão o Gewurztraminer Selezione 2015, o Pinot Noir “Ludwig” 2013 e, por fim, o Beyond The Clouds 2013, principal produto da vinícola.

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Karoline, à esquerda, e Elena, à direita. Foto: Divulgação/Elena Walch

3. Monica Rossetti

Considerada pela competição Vinitaly a embaixatriz do espumante brasileiro na Itália, Monica Rossetti já esteve à frente de vinícolas do país e hoje presta consultoria por meio de sua empresa Rossetti Enologia.

Como enóloga da Lidio Carvalho, emancipou a empresa a um patamar de vinícola-boutique. Além disso, teve um papel importante na elaboração de espumantes Ferrari, do grupo Lunelli.

É descendente de italianos e natural da região de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Atualmente, ela mora na Itália para aperfeiçoar-se em processos de vinificação e enologia.

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Foto: Divulgação/Rossetti Enologia

4. Sandrine Garbay

Formada em Ciências Médicas e Biológicas pela Bordeaux Institute of Oenology, na França, Sandrine Garbay integrou o time da premiada vinícola Chateau d’Yquem em 1994 como supervisora do controle de qualidade. Em 1998, substituiu Guy Latrille, tornando-se mestre de adega.

Sandrine esteve envolvida na produção de importantes rótulos, como o Sauvignon Blanc Château D’Yquem 1997, avaliado, em fevereiro de 2019, em quase R$ 5 mil.

5. Cathy Corison

Sua paixão pelo vinho começou em uma aula de degustação quando estudava Biologia, na Pomona College, nos Estados Unidos. Resolveu, então, utilizar seus conhecimentos de bióloga para estudar os sistemas que resultam em boas bebidas.

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Em seguida, graduou-se em Enologia pela University of California e fundou a Corison Winery, em 1987, na região de Napa Valley, na Califórnia. Entre os frutos produzidos pela vinícola, estão Gewürztraminer e Cabernet Sauvignon, sua especialidade.

Em sua vinícola, Cathy prioriza a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente. Um dos diferenciais são as caixas-ninho, empregadas entre as videiras para abrigar pássaros da região.

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Foto: Divulgação/Corison Winery

6. Flavia Cavalcanti

Com experiência em vinícolas como Miolo e Herdade do Esporão, Flavia Cavalcanti é tecnóloga em viticultura e enologia nos Institutos Federais de Bento Gonçalves (RS) e Petrolina (PE).

Hoje, é enóloga da Thera, tendo comandado a criação de dois rótulos: Thera Sauvignon Blanc e Thera Rosé. Também comandou o Guaspari Vista do Chá Syrah, pela vinícola Guaspari.

No Brasil e no mundo, há mulheres à frente de importantes vinícolas, agregando para o processo de vinificação seus próprios métodos e experiências.

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