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Entenda O Processo De Envelhecimento Do Vinho Na Garrafa

Entenda o processo de envelhecimento do vinho na garrafa

Não é incomum ouvirmos frases como “vinho bom é vinho velho”, mas será mesmo que isso é válido para todos os casos? Diferentemente do que muitos pensam, nem todos os rótulos são fabricados para envelhecimento em garrafa. Hoje em dia, também por questões comerciais, muitos deles foram feitos para serem apreciados ainda jovens.

Mas qual é o papel do envelhecimento do vinho, então? E quais nuances da bebida evoluem nesse processo? Confira o post para entender melhor a questão e também para diferenciar as etapas de evolução do vinho na garrafa e maturação. Boa leitura!

Envelhecimento x maturação do vinho

Antes de mais nada, é importante saber a diferença entre o envelhecimento do vinho e a maturação, para não misturar os assuntos e também para compreender esses processos do vinho que eram utilizados antigamente e persistem até hoje.

A maturação é um processo que pode ocorrer durante a elaboração de um vinho, entre os períodos de fermentação e envase da bebida. Resumidamente, o enólogo pode optar por um estágio inicial de envelhecimento do vinho em barris de carvalho, foudres (tonéis de madeira), tanques de inox, entre outros. 

Cada um desses recipientes é utilizado com objetivos específicos. As barricas de carvalho, por exemplo, servem para amaciar os taninos do vinho e conferem aromas secundários à bebida, como coco (barricas americanas) e baunilha (barricas francesas). 

Esse processo pode durar meses ou anos, a depender do resultado que o produtor deseja atingir.

Barris de carvalho para maturação do vinho

O tempo de maturação do vinho em barris de carvalho pode variar entre meses e anos, dependendo dos resultados esperados pelo enólogo produtor.

O envelhecimento do vinho, em contrapartida, é um processo indicado para rótulos específicos, a fim de evoluir as percepções sensoriais da bebida, aportando aromas e deixando o vinho com taninos macios. Ele ocorre dentro da garrafa, entre os períodos de envase e abertura do rótulo.

Esse processo pode ocorrer nas caves de bodegas, para se encaixarem em determinações legais ou para aportar estrutura ao vinho. Além disso, enófilos que possuem adegas climatizadas também podem optar pelo envelhecimento de seus rótulos.

Por que deixar os vinhos envelhecerem?

Assim como escolher um vinho específico em detrimento de outro, optar por envelhecer um exemplar diz muito sobre as preferências de cada consumidor. Algumas pessoas preferem degustar seus rótulos no momento da compra, enquanto outras adquirem algumas garrafas de um mesmo vinho e abrem ao longo dos anos para acompanharem a evolução da bebida.

O que um vinho precisa para envelhecer bem?

Como mencionamos no início do post, nem todos os rótulos são adequados para evolução em garrafa. Isso porque, com o tempo, vinhos que não possuem qualidades específicas podem acabar perdendo completamente seus aromas, quando envelhecidos.

Por esse motivo, para que a bebida tenha bom potencial de guarda, é importante que ela seja bastante ácida e tânica. Nesse sentido, vinhos fortificados, barolos, barbarescos e alguns malbecs argentinos são bons exemplos de rótulos que podem evoluir bem em garrafa.

Vinho armazenados em adegas

Vinhos com com acidez acentuada tendem a evoluir bem em garrafa.

Como armazenar vinhos de guarda de forma adequada?

Para garantir que a evolução do vinho dê certo, o cuidado com o armazenamento é indispensável. Dessa forma, você evita que processos oxidativos aconteçam.

Guia de conservação de vinhos Divvino

Vinhos de guarda precisam ser armazenados em ambientes com temperaturas estáveis, entre 16ºC a 17ºC. Também é importante que o local não seja muito úmido e não sofra com trepidações – como acontece dentro da geladeira, por exemplo, em vista do motor do refrigerador.

Além disso, é necessário deixar algumas garrafas na horizontal, de forma que o líquido esteja em contato constante com a rolha. Dessa forma, ela não resseca, o que impede a passagem do oxigênio e contato do ar com o vinho – é, justamente, processo de oxidação que faz com que a bebida vá perdendo suas nuances e, eventualmente, oxide.

Isso é válido apenas para vinhos tranquilos e que não possuem tampas screwcap. No caso de espumantes, as garrafas precisam ser armazenadas em pé.

Pensando nisso, as adegas subterrâneas ou adegas climatizadas são os locais mais indicados para armazenar vinhos de guarda e permitir uma boa evolução da bebida em garrafa.

O envelhecimento do vinho é um tema que envolve muitos equívocos e um senso comum sobre a ideia de uma bebida mais velha é de maior qualidade. Com a variedade de rótulos oferecida hoje, isso nem sempre é verdade.

Além disso, é sempre importante levar em consideração as suas preferências na hora de optar por comprar um produto para armazená-lo durante anos. Se você prefere rótulos frescos e leves, vinhos envelhecidos talvez não sejam a melhor opção.

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Flávia

Sommelier internacional pela FISAR/UCS, pós-graduada em Marketing e Negócios do Vinho pela ESPM. Há 10 anos atuando no mercado e através de diversos canais de mídia especializados no mundo do vinho. Propago conhecimento para enófilos e amantes da bebida. Falar sobre vinhos é um prazer!

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