Equipe Divvino

Glossário do vinho: o que é a Denominação de Origem Controlada?

Dicas e curiosidades / 4 min

25 de março de 2019

Os entusiastas do vinho têm seu vocabulário repleto de palavras para definir as características de suas bebidas favoritas. Entre elas, está o termo “Denominação de Origem Controlada”, encontrado em diversos rótulos.

Porém, você sabe o que ele significa? Leia nosso post e descubra o que é preciso para que um vinho ganhe esse selo!

O que é denominação de origem

Uma denominação de origem é uma forma de impor regras à produção de vinhos de determinada região para que o produto possa manter sua qualidade, desenvolvendo características que representam aquele local.

A tradição de caracterizar o vinho por seu local de origem é milenar na região do Velho Mundo, que comporta África, Ásia e Europa. Na Bíblia, por exemplo, há menções a “vinho de Samaria”, “vinho de Carmelo” e “vinho de Jezreel”.

Isso porque, na época, era difícil identificar exatamente quais eram as uvas utilizadas ou como era o processo de vinificação. Mesmo assim, muitas vezes os produtores utilizavam os mesmos frutos (presentes na região) e os mesmos métodos para se obter a bebida, e isso podia ser percebido pelo sabor.

A primeira regularização de uma denominação de origem que se tem registro ocorreu na Itália, em 1716. A fim de proteger os vinhos de Chianti, foram instituídos os limites de sua produção.

Já em meados no século 18, esse registro passou a ser necessário em Portugal. À medida que o vinho da região do Porto ganhava fama pela Europa, bebidas de menor qualidade eram criadas, imitando o produto original.

Para assegurar-se da qualidade dos vinhos do Porto, foi necessário que o Marquês de Pombal criasse o Alvará de Instituição de Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, que viria a se tornar a primeira Denominação de Origem Controlada do país.

denominação de origem controlada

A região do Douro foi a primeira de Portugal a receber um título de Denominação de Origem Controlada.

Hoje, já é possível encontrar esse tipo de selo em diversos países europeus, cada um com seu nome: em Portugal e na Itália, o registro é conhecido como DOC, ou “Denominação de Origem Controlada”. Já na França, a sigla é AOC, e na Espanha, DO. Você também poderá encontrar esse fator na Alemanha, Áustria, Grécia, Reino Unido e Romênia.

Na região do Novo Mundo, são encontrados selos similares na África do Sul, Austrália, no Brasil, Canadá, Chile e nos Estados Unidos.

O selo DOC

Após o ingresso de Portugal na União Europeia, no século 20, o selo criado por Marquês de Pombal passa a se chamar Denominação de Origem Controlada, ou DOC.

Além da região do Douro, citada no texto, 23 locais do país ganharam sua própria DOC. Entre as mais conhecidas estão os vinhos da Madeira, de Vinho Verde, de Bairrada e de Colares.

denominação de origem controlada

Apesar de estar atrelada a uma questão local, a Denominação de Origem Controlada não segue apenas essa exigência. Isso porque a qualidade em si não está restrita ao lugar de produção.

Cada região estabelece suas próprias regras, mas em todos os casos a denominação depende da localização geográfica e outras regras pré-estabelecidas de produção. Esse último fator pode envolver cortes de uva, práticas culturais, tipos de solo, métodos de vinificação, entre outros.

No caso do Vinho do Porto, por exemplo, é necessário que ele seja produzido na região do Douro a partir de uvas cultivadas no local e que seja fortificado durante o processo de vinificação.

Já para o Vinho Verde, a DOC exige que sejam fabricados por uvas da região do Douro, que o processo de vinificação siga alguns parâmetros estabelecidos e que a bebida tenha quantidades máximas de elementos, como sulfatos, ácidos e açúcares.

Qualidade

Embora muitas vezes haja certa confusão em relação ao termo “Denominação de Origem Controlada”, não se trata de um sinônimo de qualidade. Afinal, o que determina se um vinho é bom ou não sempre é o gosto pessoal.

Se você gosta de um vinho Cabernet Sauvignon francês, não necessariamente gostará de um rótulo chileno. Apesar de serem feitos do mesmo fruto, os métodos de criação do produto podem ser diferentes e gerar resultados distintos.

Já um vinho com denominação sempre representará características parecidas. Dessa forma, é mais fácil escolher rótulos similares.

Muitas vinícolas, mesmo pertencendo a determinada região, preferem não se encaixar a esses padrões justamente por buscar métodos que destoam dos previstos para aquela denominação.

denominação de origem controlada

O selo DOC garante que vinhos diferentes sejam feitos no mesmo local e com processos similares de vinificação.

A Denominação de Origem Controlada é uma forma de garantir que os vinhos de uma mesma região, embora diferentes, tenham características similares. Dessa forma, é mais fácil manter um padrão nos processos de vinificação.

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