Entendendo de vinho

Qual a influência do vinho no tango argentino?

Destaques / 3 min

15 de agosto de 2019

Durante o século 19, se estabeleciam duas das maiores paixões argentinas. Enquanto o tango surgia da junção de diversos povos nas periferias do país, os imigrantes europeus traziam o vinho, fugindo das pragas que assolavam seu continente.

Leia até o fim e entenda um pouco mais sobre como o vinho influenciou o tango, o principal estilo musical da Argentina!

Como surgiu o tango?

Após a abolição da escravatura na Argentina, no início do século 19, as populações afro argentinas e marginais começaram a formar casas de entretenimento para as pessoas com menor poder aquisitivo nas periferias (ou orellas, como são chamadas em espanhol).

Assim, foram se misturando diversas manifestações culturais: o candomblé africano, a habanera cubana, a polca chequia, o flamenco espanhol e os hábitos dos uruguaios e argentinos que habitavam a região do Rio de la Plata.

vinho tango argentino

Essa junção deu origem a uma dança elegante e sensual, que era acompanhada de uma música que misturava elementos eruditos de violino e piano a ritmos populares de acordeon e percussão.

Foi somente no final do século que essa manifestação começou a se chamar “tango”, que, segundo alguns relatos, deriva da palavra latina que significa “toque”, em alusão ao contato corporal que havia durante a dança.

Por seu caráter marginal, o tango foi mal visto pela sociedade durante muito tempo. Sua aceitação deu-se apenas na década de 1920, graças à sua difusão a nível mundial com o sucesso de compositores como Carlos Gardel e Sofia Bozan.

 

O tango e o vinho

A relação do vinho com as artes é muito antiga. Basta observar que, na mitologia greco-romana, o deus da bebida (Dionísio/Baco) é também a divindade relacionada ao teatro e às festas.

Nas casas de entretenimento em que o tango surgiu, era comum que, além da dança e da música, as pessoas se encontrassem para beber vinho. Isso porque a imigração europeia trouxe consigo o hábito de consumir a bebida. Além disso, foi nessa época que a vinificação tornou-se uma atividade comum na América do Sul, mais precisamente na Argentina.

vinho tango argentino

De forma poética, os compositores das canções citavam o vinho como influência, e as razões eram diversas. Em La ultima copa, por exemplo, Francisco Canaro mencionava o vinho como forma de esquecer a pessoa amada: “Hoje me embebedo por ela / E ela, quem sabe o que fará / Encha, garçom, mais champanhe / Que toda a minha dor / Bebendo poderei apagar”.

Já Carlos Bahr acreditava na bebida como forma de relembrar um amor passado. “A nostalgia pede taças / E as taças pedem tangos / Venha um tango teimoso / Uma taça e a emoção / De invocar o velho amor”, é o que canta em Tango Y Copas.

Para outros, o vinho representava a alegria e a comemoração. Como escreve José de Graci em Esta Vuelta Pago Yo: “Esta noite estou de festa / Peçam, bebam que eu pago / Festejar quero entre tragos / O que ordena o coração / Peçam, bebam, meus amigos / Que esta noite pago eu!

Há centenas de outros exemplos de canções de tango onde há ao menos uma citação ao vinho. Os padrões são repetidos, e divididos entre desilusões amorosas e festanças.

Existe ainda outra conexão inevitável com a sensualidade. O vinho é considerado afrodisíaco e está constantemente ligado a situações voluptuosas, assim como a dança e o tango.

Por essa razão, sempre houve uma identificação grande entre ambos. As pessoas que procuravam as casas de entretenimento para dançar, namorar e se divertir, também estavam sempre acompanhadas de uma taça de vinho.

O tango e os vinhos surgiram na Argentina na mesma época e até hoje formam uma combinação perfeita. Portanto, seja para ouvir ou dançar um tango, não se esqueça de acompanhá-lo de uma bela taça de vinho.

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