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Vinhos Da Toscana: Por Que São Tão Famosos E Quais Provar?

Vinhos da Toscana: por que são tão famosos e quais provar?

Uma das mais importantes regiões da Itália, tanto em extensão territorial quanto em relevância cultural, a Toscana tem como capital a cidade de Florença.  

Conhecida mundialmente como o berço do Renascimento, a região é formada pelas províncias de Arezzo, Grosseto, Livorno, Luca, Massa-Carrara, Pisa, Pistoia, Prato e Siena. Com mais de três milhões de habitantes, encanta por suas paisagens formadas pelos montes Apeninos, colinas onduladas, vilarejos medievais e pelas praias da Ilha de Elba, no Mar Tirreno. No entanto, são os vinhos da Toscana que realmente conquistam paladares ao redor do mundo. 

Quer entender por que o vinho toscano é tão valorizado? Descubra a história, o terroir, as uvas mais importantes e os tipos de vinho dessa região. Continue a leitura! 

História dos vinhos da Toscana 

A tradição vitivinícola da Toscana remonta aos etruscos, civilização que habitava a região antes da expansão do Império Romano. Mais tarde, os romanos aperfeiçoaram as técnicas de cultivo e vinificação, o que consolidou a importância da área na produção de vinhos. 

Durante toda a Idade Média, mosteiros desempenharam papel fundamental na preservação e evolução dos vinhedos. No século 18, surgiram os primeiros registros oficiais que delimitavam as áreas de produção, sendo um marco importante para a qualidade dos vinhos toscanos. 

No século 20, a região da Toscana passou por uma grande revolução enológica: o surgimento dos Supertoscanos. Eles elevaram o padrão internacional, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas. 

Atualmente, cada vinícola toscana combina técnicas modernas, mas trazendo séculos de história, mantendo viva uma herança que transformou a região em uma verdadeira referência mundial. 

Terroir da Toscana 

A grande responsável pelo encantamento com os vinhos produzidos na região, sem dúvidas, é a junção de todos os aspectos que caracterizam o terroir da Toscana.  Sejam eles os ciprestes imponentes, os vales que rondam os vinhedos, o clima moderadamente quente e até mesmo o fato de algumas produções serem realizadas em locais de altitude superior. 

O território, que se estende pela costa ocidental da Itália, forma um triângulo banhado por dois mares: o Mar Tirreno e o Mar da Ligúria, protegido por uma cadeia montanhosa dos Apeninos na parte continental. 

Região de Chianti, na Toscana

Vista panorâmica de ciprestes — árvores coníferas e ornamentais — na região de Chianti, na Toscana.

No local, a medida exata de luz e calor são suficientes para que as uvas da Toscana — falaremos delas em breve — amadureçam de forma espontânea e consciente. 

Contudo, são dois os tipos de solos principais que caracterizam os vinhos toscanos e fortalecem o desenvolvimento das diferentes castas que servem como base para a produção da bebida. São eles o Galestro e o Alberese. 

Solo Galestro 

O Galestro é um tipo de solo de argila-calcário quebradiço. Portanto, ele é rico em elementos minerais preciosos que colaboram com a saúde das videiras. É mais encontrado na região Chianti Clássico. 

Solo Alberese 

Rígido e compacto, o Alberese possui uma maior concentração de arenito, o que o torna um solo sedimentar. Nesse sentido, é adequado para a obtenção de vinhos mais estruturados, com taninos que se sobressaem no paladar, assim como os de longo envelhecimento. 

Principais tipos de vinhos da Toscana 

Entre tradição e inovação, a Toscana produz alguns dos rótulos mais emblemáticos da Itália. Continue a leitura para conhecer os principais estilos de vinho toscano! 

Chianti DOC 

O mais reconhecido entre os vinhos da Toscana, o Chianti é elaborado majoritariamente com a uva sangiovese com, no mínimo, 70% da casta. São rótulos que apresentam alta acidez, taninos de médios a altos e corpo médio. O final é persistente, equilibrando frescor e estrutura, e sabor que remete à fruta e notas terrosas e minerais do terroir toscano. 

É um vinho versátil, harmonizando muito bem com massas ao molho de tomate, carnes grelhadas e queijos curados. Focaccias à base de ervas também são perfeitas para acompanhamento. 

É um dos grandes responsáveis pela fama internacional dos vinhos toscanos. 

Brunello di Montalcino DOCG 

Brunello di Montalcino tem seu lugar de destaque entre os rótulos italianos mais renomados. O vinho tinto é elaborado 100% a partir da sangiovese, na comuna de Montalcino, que compõe a região da Toscana. 

São rótulos que passam por envelhecimento de dois anos em barris de carvalho e mais quatro meses em garrafas, apresentando graduação alcoólica de, no mínimo, 12%. Eles são engarrafados em garrafas do estilo Bordeaux, com vidro escuro e lacradas com rolhas de cortiça. 

Tem acidez vibrante e forte estrutura tânica, coloração rubi intensa e, no olfato, revela aromas de frutas negras e maduras, com toques de baunilha e notas de especiarias. 

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Vino Nobile di Montepulciano DOCG 

Os rótulos Vino Nobile de Montepulciano trazem até 70% da sangiovese como destaque principal, enquanto os outros 30% podem ser compostos por outras cepas cultivadas ou autorizadas na Toscana. 

Possui história longeva, com menções que datam há mais de 2000 anos. Aqueles que levam o selo D.O.C.G. são originários de vinhedos entre 250 e 600 metros acima do nível do mar, com produção máxima de 8 toneladas por hectare. 

Possuem coloração vermelho rubi intensa e brilhante, com notas de ameixa e cereja preta como principais, mas também mirtilo, framboesa e amora. Os taninos são suavizados pelo envelhecimento e no paladar é estruturado e elegante. Harmoniza com pizzas, ragu com polenta, carne de cabrito e risotos de linguiça. Massas à base de molho de tomate também vão muito bem. 

Supertoscanos 

Os vinhos supertoscanos são tintos elaborados na região vitivinícola da própria Toscana, podendo incluir uvas que não são autóctones da região, como a cabernet sauvignoncabernet francmerlot e syrah. 

Sua criação começou a desafiar as leis de produção da região, na década de 1970. Na época, Toscana não possuía tanto renome, exceto pelos Chiantis. Com a intenção de elevar a qualidade da bebida italiana e torná-la mais agradável aos paladares internacionais, castas de outros países passaram a fazer parte das produções. 

A diferenciação com vinhos tradicionais também acontece pelo método de produção, no qual a fermentação é feita em tanques de cimento e o envelhecimento no armazenamento de barris de carvalho. 

Vin Santo 

A Itália é fortemente marcada pela tradição judaico-cristã, encontrando nos rituais religiosos uma oportunidade de manter viva tradições importantes para o país, como a Páscoa. Nessa questão, surge o vin santo, ou, traduzindo, vinho santo.  

Branco e licoroso, a bebida invoca a sacralidade e é produzida apenas na Itália. Atualmente, encontra-se entre os “vinhos de sobremesa”, sendo apreciado após o final de uma refeição ou no café da tarde. 

Ele é produzido a partir de uvas semiapassite, ou seja, com variedades parcialmente transformadas em passas. As cepas trebbiano, malvasia, san colombano, canaiolo e grechetto bianco são utilizadas, assim como a canaiolo nero ou as próprias sangiovese. 

Geralmente é servido com o cantucci, um pão típico da região.

Vin santo

Os vin santo são originários da Toscana e são brancos e licorosos.

Quais são as uvas da Toscana? 

É impossível pensar na produção de vinhos italianos e não lembrar da grande variedade de uvas que o país é capaz de cultivar graças às particularidades encontradas em todo o território.  

No entanto, quando falamos sobre vinhos toscanos, há alguns tipos de uva que se sobressaem, como é o caso da sangiovese, a trebbiano, a merlot, a cabernet sauvignon, a malvasia e a canaiolo. Conheça mais a respeito delas a seguir! 

Sangiovese 

Nativa da Toscana e popular na produção de vinhos tintos, a uva sangiovese pertence à família da vitis vinifera, podendo ser conhecida também como sangiovese grosso, brunello, morellino, prugnolo, prugnolo gentile, sangioveto, tignolo ou até mesmo uva canina.  

Isso porque, ao passar dos anos, algumas mutações foram realizadas a partir dessa espécie, cujos clones possuem algumas diferenças básicas, como espessura da casca — é o caso da Sangiovese Grosso, que gera vinhos mais encorpados. 

Como característica, ela proporciona aos vinhos altos níveis de acidez e tanino, resultando em aromas que remetem às cerejas vermelhas e notas balsâmicas. 

É mais utilizada na produção dos vinhos de Chianti, Brunello di Montalcino, Rosso di Montalcino, Montepulciano, além dos cortes dos Supertoscanos.

Uva sangiovese para produção de vinhos da Toscana

A uva sangiovese é nativa da Toscana e já passou por uma série de mutações.

Trebbiano 

Acredita-se que a uva trebbiano seja utilizada para fins vinílicos desde o começo da civilização ocidental, ainda durante a Roma Antiga. Na Itália, ela é a espécie que dá origem ao vinho branco da Toscana em rótulos como Trebbiano d’Abruzzo, Trebbiano di Aprilia, Trebbiano di Capriano del Colle e Trebbiano di Romagna. 

De cachos compridos e largos, assim como amadurecimento tardio, é um tipo de uva que se adapta bem a diferentes terroirs, já que também é encontrada em outros países, como França — lá, ela recebeu o nome de Ugni Blanc — e Argentina. 

No paladar, traz refrescância e elegância. Possui coloração amarelo-intenso, corpo leve e uma acidez alta, característica. No olfato, traz notas de frutas cítricas, como lima e limão, além de frutas verdes, como maçã verde. A mineralidade também se faz presente.

Videira da uva trebbiano

A uva trebbiano apresenta cachos compridos e largos.

Merlot 

Versátil, a uva merlot é famosa por ter aromas e sabores frutados que costumam agradar os iniciantes no universo dos vinhos, assim como aqueles que não dispensam um rótulo clássico. 

As bebidas produzidas a partir dessa uva que, apesar de ser originária da França, na região de Bordeaux, também encontrou um lugar na Toscana, contam com taninos macios e acidez marcante. 

De coloração púrpura, ela proporciona um tom rubi com bordas violáceas em rótulos jovens. Nos envelhecidos, os tons acastanhados ficam evidentes. No aroma, é possível sentir notas de ameixa e chocolate. 

Além disso, a merlot pode ainda ser utilizada em um blend com a sangiovese, proporcionando mais maciez ao vinho. 

Cabernet sauvignon 

Outra variedade francesa que serve à produção de vinhos toscanos é a da uva cabernet sauvignon, comumente encontrada nos supertoscanos. 

Safras como Sassicaia, Tignanello, Solaia, Ornellaia, L’Apparita e Masseto utilizam-se da cepa, o que torna os rótulos mais adaptáveis ao paladar internacional. 

No caso da cabernet sauvignon, a uva aporta taninos e longevidade, oferecendo aromas de frutas negras à bebida. 

pôr do sol em vinhedos, Toscana

A Cabernet Sauvignon é uma cepa francesa que também serve à produção de vinhos da Toscana.

Malvasia 

Por ter um alto teor de açúcar residual, a malvasia é popular na produção de vinhos doces, ao lado da Trebbiano, e está entre as uvas mais famosas da região. 

Forte e capaz de bons rendimentos, conta com uma enorme quantidade de subvariedades. Contudo, as características que se sobressaem vão depender do estilo do vinho.  

Nos brancos, a malvasia tem aromas que remetem a damasco, pêssego e passas brancas. Ao passo que nos tintos, nota-se chocolate, nozes, notas e cacau, caixa de charuto, trufas negras e castanhas.  

Canaiolo 

A canaiolo é uma uva tinta nativa da Toscana, comumente utilizada em blends com a sangiovese. É, também, extremamente importante para a composição de um dos vinhos italianos mais famosos, o Chianti, assim como o Vino Nobile di Montepulciano. 

Com boa resistência, ela entrega um aroma notável e coloração mais densa e escura que outras cepas, o que a torna um tipo de casta ideal para vinhos de corte, acentuando os sabores herbáceos, adicionando taninos suaves e aromas elegantes às combinações. 

Entre tradição e modernidade, cada vinícola toscana mantém viva a identidade de seus terroirs, preservando paisagens históricas e técnicas seculares. 

Explorar os vinhos da Toscana é mergulhar em séculos de cultura, inovação e paixão pela viticultura. Se você deseja conhecer rótulos que representam o melhor dos vinhos famosos italianos, vale a pena descobrir as opções disponíveis no divvino.com.br! 

 

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